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Ivana Kupala

IVANA KUPALA
(Andreiv Choma)

Trata-se da Celebração eslava do solstício de verão, que na Ucrânia ocorre em junho (ou no início deivana-kupala julho de acordo com o calendário antigo). É nesse dia que ocorre o maior afastamento entre o Plano da órbita terrestre e o plano do equador. A partir desse momento, os dias começam a ficar mais curtos e as noites mais longas, é o início do verão no hemisfério norte. Como a Ucrânia segue o calendário Juliano (com treze dias de atraso com relação ao nosso), a festa é celebrada na noite do dia 06 para o dia 07 de julho.
A palavra Kupalo vem do verbo kupati, traduzido como lavar alguma coisa ou tomar banho. Neste dia, o deus do sol supostamente tomava banho, imergindo nas águas ao horizonte. Isto saturava toda a água com o seu poder e então, todos os que tomassem banho neste dia absorveriam alguma força especial.
O fogo era sagrado aos eslavos antigos. Nos santuários, o fogo era aceso, mantido e abençoado pelos padres e na casa, pela matriarca. Na véspera de Kupalo, porém, todos os fogos eram apagados e reacendidos com nova chama. Em algumas regiões era costume preparar um banquete compartilhado por toda a aldeia como uma refeição comunal.
Com a chegada do Cristianismo na Ucrânia (final do I milênio da era cristã), a Igreja tentou suprimir o festival, mas não obteve sucesso. Assim eles fizeram o que normalmente faziam: combinaram o festival do deus pagão Kupalo com o banquete da Natividade de São João Batista (6 de julho, Calendário Juliano) e a festa passou a ser chamada de Festa de Ivana Kupala (Ivana – relativo a João; Kupala – relativo ao antigo deus pagão). Filho de Zacarias e de Isabel, São João Batista alertava para a chegada do Messias. Salomé, mulher de Herodes, pediu a este, por ordem da mãe, a cabeça do profeta, que lhe foi servida numa bandeja.
Durante o dia, os rapazes e as moças, esmeravam-se em confeccionar os bonecos de Marena e Kupalo, geralmente utilizando palha, madeira e velhas peças de roupa. Os bonecos são considerados símbolos do amor entre o homem e a mulher (a água e o fogo).
Na noite de Ivana Kupala os jovens se reuniam fora da aldeia, próximo de um riacho ou de uma lagoa onde construíam fogueiras, traziam então para perto do fogo, os bonecos e o ícone de S. João Batista, os quais permaneciam ali durante toda a noite. Aproveitavam também, para queimar ervas especiais abençoadas, para atrair sorte no amor e na colheita.
As meninas cantavam canções especiais chamadas de Kupal’ni, com muitas referências ao amor e ao matrimônio. Atiravam guirlandas de flor (vinotchoky) na água ou na fogueira e pediam para encontrar um grande amor. Os rapazes faziam o mesmo, porém jogavam pequenas cruzes de gravetos. Para atrair a sorte e espantar o azar meninos e meninas pulavam a fogueira. Costumava-se acreditar que o casal que saltasse o fogo de mãos dadas garantiria um casamento próspero.
Os mais aventureiros entravam na floresta e procuravam o paporoti tsvit- uma espécie de flor mágica que só floresce na noite de Ivana Kupala. Dizia a lenda que quem a encontrasse adquiriria grande riqueza e muita felicidade. Mas os aventureiros deviam se precaver naquela noite de magia a floresta estava cheia de demônios e outros seres assustadores (syla nechysta). Em particular, as Rusalky, ninfas de água que afogavam as almas de quem as encontrasse e o Tchuhaistyr, um espírito zombeteiro que vivia nas florestas e obrigava a pessoa que o encontrasse a dançar por toda a noite.
Ao redor da fogueira, canções eram entoadas, música era tocada, e todo mundo dançava e se divertia. Diversos eram os jogos, danças e divertimentos que aconteciam na noite de Kupalo: as moças saíam escondidas de casa para atirar guirlandas ao rio para agradecer e fazer novos pedidos a Kupalo, principalmente relacionados ao amor. Danças como: Hone Víter (corre vento), Dóstchék (a chuvinha), Dubotanetz (a dança do carvalho) eram executadas no dia de Kupalo.
Velhas mulheres da aldeia vendiam filtros amorosos e faziam magias para assegurar uma colheita grande e vários matrimônios. As lendas acerca de bruxas e bruxas (Vid’ma e Vid’mak) ganhavam destaque na época de Kupalo.
Ao final da festa, ao som de alegre música, os bonecos de Marena e Kupalo eram atirados na fogueira ou no rio. Acreditava-se que dessa maneira suas almas se encontrariam no outro mundo, garantindo assim a perpetuação da espécie humana e uma farta colheita.

(Na foto: Folclore Ucraniano Spomen, Mallet, PR)

Fonte:  https://pt-br.facebook.com/permalink.php?story_fbid=651412484952651&id=417911101636125

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