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As origens pagãs de nosso atual calendario

Antes de mais nada gostaria de esclarecer, que não é o meu propósito desmerecer as origens do nosso atual calendário “cristão” esclarecendo que suas origens são “pagãs”. O tempo da Inquisição já acabou, e acredito que com isso também deve ter passado o tempo de achar que a palavra pagão significa alguém ateu, “herege” ou até mesmo sem escrúpulos. No dicionário encontramos a seguinte referência da palavra pagão: pa.gão – adj. 1. Relativo a, ou próprio de pagão. 2. Diz-se do indivíduo que não foi batizado. 3. Diz-se das religiões nas quais não se adota o batismo. S. m. 1. Adepto de qualquer religião que não adota o batismo. 2. Indivíduo que não foi batizado. Fem.: pagã. Pl.: pagãos. (Dicionário Michaelis).
É muito natural que encontremos uma definição como essa em um dicionário atual, pois nossa cultura foi e ainda é fortemente influenciada pela tradição judaico-cristã… Mas se formos pesquisar à fundo as origens da palavra “pagão”, descobriremos outro significado para ela; do latim pagus ou paganus que significa simplesmente “camponês” ou “morador do campo”, ou seja pagão significa um indivíduo que habita no campo, em meio à natureza. É fácil explicar o por quê dessa palavra ter acumulado uma carga tão negativa ao decorrer dos anos: No início da expansão do Cristianismo em Roma, essa “Nova Religião” (comparada as crenças e tradições da Antiga Europa), estava mais difundida nas cidades grandes, e ainda não havia chegado ao campo, sendo assim os camponeses passaram muito mais tempo cultuando seus antigos deuses, sem a interferência do Cristianismo; o tempo passou e quando a Igreja Cristã começou a impor sua crença por motivos políticos, fez com que as pessoas acreditassem que as antigas fés eram “aversas ao Senhor”, “do mal e do Diabo”, fazendo com que os verdadeiros pagãos (camponeses) fossem considerados hereges e ateus, e então assim o verdadeiro significado da palavra pagão se distorceu no decorrer dos tempos, chegando até os dias de hoje com tal significado. Agora que já esclareci, vamos ao assunto: As Origens Pagãs de nosso Atual Calendário

Os dias, meses e quase todas as festividades cristãs atuais tem origem principalmente nas antigas culturas pagãs da Velha Europa pré-cristã e da Mesopotâmia entre outros, e é o que veremos a seguir:

Os Dias da Semana

Há muito, muito tempo, os antigos sábios Caldeus decidiram associar os dias em grupos de sete de modo a facilitar a sua referenciação. Estes possíveis antecessores dos Babilônios basearam-se no seu sistema planetário, e nos sistemas enumerativos dos Judeus e Árabes. Escolheram o número sete, pois, nesse tempo, era tido como sagrado, por se manifestar em várias situações importantes, como por exemplo nos sete planetas conhecidos até então. Sete dias são igualmente adoração de cada uma das quatro fases da Lua. Desta forma se criou a semana como um período de sete dias. A semana caldaica, em analogia com a semana judaica, divulgou-se desde o século 2 a.C. na Ásia Menor, Egito e Grécia. Foi exactamente na Grécia que se fizeram os maiores avanços, sendo depois reproduzidos pelas outras culturas. À semana foi dado o nome hebdomas que indica a divisão em períodos de sete manhãs, ou dias, baseada nas fases da Lua. Mas, para que qualquer um pudesse aprender e saber qual o dia em questão, os sábios gregos adoptaram um método: deram-lhes nomes alusivos aos deuses. Assim, passaram a chamar a esses dias Theon hemerai, ou seja, dias dos deuses (Theon = deuses, hemerai = dias).
Aos primeiros dois dias foram atribuídos o Sol e a Lua; aos restantes, os deuses Ares, Hermes, Zeus, Afrodite, e Cronos. Então, os dias passaram a chamar-se hemera Heli(o)u, hemera Selenes, hemera Areos, hemera Hermu, hemera Dios, hemera Aphrodites, hemera Khronu.
Os critérios de escolha destes deuses são desconhecidos; mas não as suas representações. O Sol não tinha nenhuma específica, sendo somente um deus herdado de povos anteriores. Por vezes era representado como estando em oposição, outras em união, com a Lua. Os outros deuses tinham uma representação mais concreta: Ares era o deus da guerra; Hermes, deus do comércio e dos viajantes; Zeus, deus dos Céus e dos deuses (o deus grego supremo); Afrodite, deusa do amor e da beleza. Cronos foi o deus que governou o Universo até ser destronado pelo seu filho Zeus; julga-se que aquele representava, depois de destronado, o tempo atmosférico.
Mais tarde, quando o Império Romano invadiu a Grécia, aquele absorveu grande parte da cultura deste. No caso do método da divisão do tempo, somente a nomenclatura dos deuses foi substituída, sem alteração das suas representações. Os dias passaram, assim, a chamar-se Solis dies (Sol), Lunae dies (Lua), Martis dies (Marte), Mercurii dies (Mercúrio), Jovis dies (Júpiter), Veneris dies (Vénus), Saturni dies (Saturno).
Esta nomenclatura conservou-se nas línguas românicas (francês, espanhol,…) com excepção da portuguesa e nalgumas das celtas, anglo-saxónicas e germânicas. (Nestas últimas, foi seguido o mesmo método utilizado pelos romanos relativamente à alteração da nomenclatura dos deuses).
Por influência judaica e cristã, Saturni dies foi substituído por sabbatum (Sábado), e Solis dies por dies dominica (Domingo). Sábado vem do hebreu Shabbat e significa “cessar” ou “descansar”, sendo o 7º dia no calendário judaico. Domingo, com o significado de “Dia do Senhor”, ou seja, da “Ressurreição de Cristo”, fundamenta-se unicamente na Bíblia, em que é tido, em várias passagens, como o 1º dia da semana. No mesmo contexto, hebdomas foi traduzido para septimana.
Mas os Hebreus, por seu lado, alteraram radicalmente a nomenclatura, fazendo uma contagem entre cada dois sábados consecutivos: prima sabbati, secunda sabbati, etc. Este sistema único foi adoptado por diversos cristãos desde fins do séc. II. O Papa S. Silvestre (314-335) oficializou-o, inclusive, nas funções litúrgicas, substituindo, porém, sabbat por feria, esta com o significado de “festa”, “feira” ou “dia de oração”.
Apesar deste sistema enumerativo, com a palavra feria, ter sido consagrado pelo calendário eclesiástico, e de Santo Agostinho ter criticado a nomenclatura pagã com deuses (In Psalmum XCIII, 3), apenas vingou na língua portuguesa (até aos nossos dias) e, em parte, para o galego antigo. (Daqui apenas sobreviveu o Sábado no Espanhol).
Em inglês, os nomes dos dias da semana constituem uma volta direta aos antigos deuses pagãos:
Sunday, o Sol
Monday, a Lua
Tuesday, Tiu, deus da guerra e do céu
Wednesday, Wotan, rei dos deuses
Thursday, Thor, deus do trovão
Friday, Freya, deusa da paz e das colheitas
Saturday, Saturno, o deus romano do tempo e dos festejos
O inglês e as outras línguas norte-germânicas honram Sunday. As línguas latinas, porém, homenageiam o Senhor com o nome desse mesmo dia (domingo, domenica, dimanche).

Os planetas astrológicos antigos, dispostos na seqüência geocêntrica (Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno), segundo vértices de heptágono estrelado (33), fornecem a origem de nomes dos dias da semana em vários idiomas. Essa seqüência coincide, dentro do simbolismo da astrologia, com características de diferentes idades cronológicas do ser humano. Dias da semana em inglês: Sunday, Monday, Tuesday (do anglo-saxão Tiw, deus da guerra), Wednesday (Woden na Germânia ocidental equivalente ao deus grego Hermes Trimegisto e ao romano Mercúrio), Thursday (Thor, deus nórdico da trovoada, equivalente a Jupiter romano, ou Jove), Friday (Frigga ou Freya, deusa nórdica do amor e da fertilidade) e Saturday. Em frances e espanhol, alem do dia do Senhor (Dimanche e Domingo), há Lundi e Lunes, Mardi e Martes, Mercredi e Miercoles, Jeudi e Jueves, Vendredi e Viernes, e Samedi e Sábado. Outras palavras usuais, como “desastre” (dos astros), “jovial”, “marcial”, “lunático”, “saturnismo”, circulação “venosa” e doenças “venéreas”, também são de origem astrológica.

Os Meses

A maior parte do texto explicativo sobre os meses foi compilado por mim do Anuário da Grande Mãe (Mirella Faur – Editora Gaia), um livro recheando de informações que nos remete às verdadeiras origens do calendário atual. Revisei, resumi e acrescentei algumas notas além de algumas correções.

Janeiro

O primeiro mês do atual calendário gregoriano, foi nomeado em homenagem ao casal divino Janus e Jana, ou Dianus e Diana, antigas divindades pré-latinas, tutelares dos princípios, das portas e entradas e dos começos de qualquer ação ou empreendimento. Governando o Sol e Lua, Janus e Jana eram os primeiros invocados nas cerimônias, nos rituais e nas bênçãos de qualquer atividade. Com a chegada dos latinos, eles foram substituídos pelo casal divino de sua própria tradição, Júpiter e Juno. Ainda assim, o culto a Janus permaneceu, sendo sua benção necessária para qualquer empreendimento autorizado por Júpiter.
Janus eram considerado o deus do Sol e do dia, o guardião do Arco Celeste, e de todas as portas e entradas, inventor das leis civis, das cerimônias religiosas e da cunhagem das moedas, que representavam-no como um deus com dois rostos, um virado para o passado e outro para o futuro. Os atributos de Jana foram assumidos por uma das manifestações da deusa Juno, representada como uma deusa dupla Antevorta (que olhava para trás e lembrava o passado) e Festvorta (que olhava para frente e detinha o poder da profecia).
De acordo com a tradição e a cultura de cada povo, este mês é conhecido sob vários outros nomes. No calendário sagrado druidico (provém dos “Druidas”, antigos sacerdotes celtas), que usa letras do alfabeto Ogham e árvores correspondentes, é o mês do álamo e da letra Fearn.
Já na tradição dos povos nativos norte-americanos, são várias as denominações, como Lua do Lobo, Lua da Neve, Lua Fria, Lua Casta e Mês da Quietude.
Os países nórdicos e celtas celebravam neste mês as Nornes – as três Deusas do Destino – , a deusa tríplice Morrigan – senhora da vida, da morte e da guerra – e Frigga (ou Freya) – a deusa padroeira do amor e dos casamentos.
Na Índia, comemorava-se Sarasvati, a deusa dos rios, das artes e dos escritos, com os festivais Besant Panchami e Makara Sankranti. Na antiga Suméria, celebrava-se a deusa do amor e da fertilidade Inanna e a deusa lunar Anunit.
Sekhmet, a deusa solar com cara de leoa e Hathor, a deusa lunar adornada com chifres de vaca, eram celebradas no Egito. A Grande Mãe era honrada em suas representações como a deusa eslava anciã Baba Yaga e a criadora africana Mawu. Várias comemorações gregas e romanas homenageavam as deusas Kore, Justitia, Carmenta, Athena, Pax, Ceres, Cibele e Gaia (o espírito da Mãe Terra).
No Oriente, reverenciavam-se os ancestrais, as divindades da boa sorte, do lar e da riqueza, invocando as bençãos para o Ano Novo e realizando vários rituais para afugentar as energias maléficas e os azares.
Apesar das diferenças geográficas, climáticas, mitológicas e sociais, todas as antigas culturas tinham cerimônias específicas para fechar um velho ciclo (o ano velho) e celebrar o início de outro (o ano novo).

Fevereiro

Alguns escritores consideram o nome deste mês derivado do nome do deus romano Februus, posteriormente identificado com Plutão. Fontes mais antigas, no entanto citam a deusa Februa como a padroeira do mês. Februa era a deusa da “febre do amor”, da paixão, tendo sido mais tarde transformada em um dos dois aspectos da deusa Juno. Seus ritos orgiásticos persistiram ao longo dos tempos, tendo sido transformados na comemorações cristã de São Valentim, quando amigos e namorados trocam entre si bilhetes em forma de coração e presentes, na Europa e nos Estados Unidos.
O nome celta deste mês é Feabhra e o anglo-saxão, Solmonath, assinalando o retorno da luz após a escuridão do inverno.
No calendário sagrado druidico, a este mês é atribuido a letra Saille do alfabeto oghâmico, sendo o salgueiro a árvore correspondente.
Nas tradições dos povos nativos, os nomes deste mês retratam ou rigores climáticos do hemisfério norte – Lua da Neve, Lua da Tempestade, Lua da Fome, Lua Selvagem – ou as antigas práticas de purificação espiritual – Lua Vermelha, Mês da Purificação.
Fevereiro é o mês mais curto do ano. Segundo uma lenda, perdeu um dia a favor de Agosto. Inicialmente os meses alternavam entre trinta e trinta e dois dias, mas em algum momento foi alterado e o mês perdeu dois dias em relação aos outros, exceto nos anos bissextos.
Na antiga Grécia, celebravam-se neste mês, os Mistérios Menores de Eleusis, com o retorno da Deusa Kore do mundo subterrâneo e o despertar da natureza. Celebram-se também, durante a lua cheia o festival da deusa Afrodite.
Em Roma, os festivais de Parentália e Ferália louvavam os ancestrais, o de Lupercália promovia rituais de purificação e fertilidade, o de Terminália reforçava a proteção das propriedades, enquanto os de Concórdia celebravam a paz e a harmonia entre as pessoas. Comemorava-se também Diana, a deusa Lua e das florestas.
Na Lua Cheia deste mês, comemorava-se na China, a deusa da compaixão e misericórdia Kuan Yin, enquanto que na Lua Crescente celebrava-se, na Índia, a deusa Sarasvati e, no Japão a deusa solar Amaterasu, com o festival das lanternas Setsu-Bun-O.
O povo Inca tinha o Festival do Grande Amadurecimento, chamado Hatun Pucuy.
Os judeus celebram-se até hoje o Purim, festival dedicado à Rainha Esther, que salvou o povo hebraico de um massacre. As famílias vão à sinagoga e depois festejam com comidas tradicionais. As crianças se vestem com fantasias e encenam peças de teatro, trocando depois presentes entre si.

Março

Mês dedicado ao deus romano Marte ou Marvos, padroeiro da guerra e da agricultura. Marte apresentava-se sob três aspectos: como deus da guerra, chamava-se Gradivus, como deus silvestre dos campos e dos bosques, Silvanus e como padroeiro do estado romano, Quirinus. Sua consorte era Nerine ou Nereis, a deusa da guerra equivalente à deusa romana Bellona.
Na Irlanda, este mês era chamado Mian Mharta, enquanto os saxões o chamavam Lentzinmonath, o mês da renovação. No calendário sagrado druidico, a letra Ogham correspondente é Nuin e a árvore é o freixo.
Os povos nativos nomearam este mês sob diversas formas: Lua da Tempestade, Lua dos Ventos, Lua do Arado, Lua das Sementes, Lua do Corvo, Lua da Seiva e Mês da Renovação.
Para os romanos, este mês representava o início do Ano Novo, começando no equinócio da primavera, em torno do dia 21, data mantida até hoje como o início do Ano Zodiacal. Os gregos renovavam o fogo sagrado em suas lareiras, invocando a proteção da deusa Vesta para os seus lares.
As mulheres romanas louvavam neste mês a deusa Juno Lucina, a protetora das crianças, das mulheres, das mulheres e das famílias. Na Grécia antiga, comemorava-se a chegada da primavera com competições esportivas e artísticas dedicadas à deusa Athena, com a festa das flores Anthesteria homenageando a deusa Flora e com as procissões de Junonália, para a deusa Juno.
Em Canaã celebrava-se a deusa Astarte com oferendas de ovos pintados de vermelho, simbolizado o despertar da natureza e a energia de um novo ciclo. Também na Europa, faziam-se oferendas de ovos coloridos para a deusa da fertilidade e do renascimento Eostre, cujo nome originou a palavra anglo-saxã Easter (Páscoa) e a raiz do nome do hormônio feminino, estrogênio. Nos países celtas (Irlanda, País de Gales, Escócia) celebravam-se as várias deusas: Rhiannon, do amor, Sheelah Na Gig, da sexualidade e Anu, da abundância.
As comemorações da deusa romana da terra, Cibele, reencenavam os antigos mistérios da morte/renascimento, representados pela ressurreição de seu filho e consorte Attis, enquanto que as celebrações da deusa Anna Perenna visavam atrair a fertilidade, a prosperidade e a abundância da terra. No Egito, comemorava-se Ísis, a deusa dos mil nomes; Bast, a deusa solar; Ua Zit, a deusa serpente e Maat a deusa da justiça.
O festival inca Pacha Puchy era dedicado ao amadurecimento da terra e das colheitas.

Abril

Originalmente inspirado em Aphrodite, a deusa grega da vida e do amor, o nome deste mês foi posteriormente adaptado pelos romanos para Aprilis, “o tempo das flores e folhas em botão”. A palavra “aperire” significava abrir, lembrando o atributo menos conhecido desta deusa: o de guardiã do portal da vida. Ela era representada nua, com as mãos representadas para seus órgãos genitais, a passagem que permite à alma “abrir a porta da vida”
Abril é o mês de abertura no hemisfério nórdico: abertura da terra para receber as sementes; das sementes, que germinam e dos botões que se abrem em flor.
O nome anglo-saxão deste mês era Easter Monath, que até hoje é mantido na palavra Easter (Páscoa). Reverenciava-se a deusa da primavera Eostre, assemelhada a Afrodite. Na Irlanda, este mês era chamado Aibreau e na tradição Asatru (nórdica), Ostara.
No calendário sagrado druidico, a letra Ogham correspondente é Huathe, a árvore sagrada é o espinheiro.
Os povos nativos tinham vários nomes para este mês: Lua da Semente, Lua do Plantio, Lua das Árvores em Botão, Lua do Semeador, Lua do Semeador, Lua da Lebre, Lua da Relva Verde, Lua das Árvores que crescem, Lua Cor-de-Rosa, Mês do Crescimento.
Neste mês, havia inúmeras celebrações e comemorações nas tradições e culturas antigas.
Em Roma, a festa de Megalésia festejava Cibele, a deusa da terra, cujo culto veio da Ásia Menor, onde menor venerada como a Grande Mãe. O festival romano de Florália celebrava a deusa das flores e da alegria Flora, enquanto o festival Cereália comemorava-se o retorno da deusa Proserpina do mundo subterrâneo e alegria de sua mãe, Ceres, enchendo a Terra de folhas flores. As mulheres romanas homenageavam a deusa Fortuna Virilis para ter sorte no amor.
Em Canaã e na Fenícia, reverenciava-se a deusa lunar ornada de chifres Anahita ou Anat e Anait, enquanto nos países celtas celebravam-se as deusas solares Aine e Brighid.
Atualmente, o Festival Japonês das Flores festeja o nascimento de Buda mas, na tradição shintoísta, cultuavam-se os ancestrais, adornando suas lápides com flores.
Nos países nórdicos, 1º de abril é dedicado ao deus trapaceiro Loki e é considerado o Dia da Mentira e dos Bobos. Em vários países, o Dia dos Bobos permite brincadeiras e piadas em lembrança da mudança do calendário e da saída dos pacientes internados em hospícios para desfrutarem de liberdade.
No Egito, comemorava-se Bast, a deusa solar com cabeça de gato. No hemisfério sul, os incas tinham o festival Camay Inca Raymi.

Maio

A deusa grega Maia, mãe do deus Hermes, e a mais importante das “Setes Irmãs” – representadas pela constelação das Plêiades -, deu origem ao nome deste mês. Maia, também chamada de Maius pelos romanos, era a deusa do calor vital, da sexualidade e do crescimento, sendo homenageada durante o festival de Ambervália, que incluía rituais de purificação e de proteção e de proteção da terra.
O nome anglo-saxão antigo do mês era Thrimilcmonath ou “o mês em que as vacas dão leite três vezes ao dia” e, na tradição Asatru, é Merrymoon. No calendário sagrado druidico, a letra Ogham correspondente é Duir e a árvore sagrada é o carvalho.
Os povos nativos norte-americanos denominaram este mês de Lua Alegre, Lua Brilhante, Lua Flor, Lua do Retorno dos Sapos, Lua do Leite, Lua do Plantio do Milho, Lua das Folhas e Mês da Alegria, entre outros.
Na tradição celta, o nome do mês era Mai e era considerado um período de liberdade sexual. Celebrava-se a fertilidade da natureza (vegetal, animal e humana) durante os fogos cerimoniais de Beltane.
Dois dos rituais antigos dedicados à deusa irlandesa da vida, da morte e da sexualidade Sheelah Na Gig, permaneceu o hábito de pendurar roupas velhas nos espinheiros, no quarto dia do mês, para afastar a pobreza e o azar.
Na Roma antiga, comemorava-se a deusa Bona Dea, a protetora das mulheres e homenageavam-se os Lemúres, os espíritos dos ancestrais, durante o festival de Lemúria, com oferendas em seus túmulos.
Os antigos gregos tinham os rituais de Kallynteria e Plynteria para a limpeza dos templos e das estátuas e festivais especiais para celebrar Pan, o deus da virilidade e da vegetação, Perséfone, a rainha do mundo subterrâneo e seu consorte o deus Plutão.
Comemoravam-se também Diana, a deusa da Lua e da vida selvagem e as Parcas, as deusas do Destino.
Asherah, a Grande Mãe dos semitas, marcava o início do mês, celebrada com oferendas de frutas e fitas, como a Árvore da vida nos bosques sagrados.
Perchta, a Deusa Mãe, era reverenciada na antiga Alemanha e as Três Mães em vários lugares da Europa.
Os celtas celebravam as deusas da guerra Macha e Maeve, Blodeuwedd, a deusa das flores e Cerridwen, a guardiã do caldeirão sagrado.
Na França, durante o festival das Três Marias, os ciganos festejam até os dias de hoje a deusa Sara Kali – posteriormente cristianizada como Santa Sara – com procissões, danças, casamentos e feiras. É a única celebração do aspecto feminino do Divino, a Deusa, ainda mantida viva, as Três Marias representando a Trindade Feminina encontrada na maior parte das antigas religiões e tradições.
As culturas eslavas celebravam a deusa da natureza Lada, os finlandeses a deusa da sorveira Rauni, enquanto os povos nativos de vários lugares (Tibet, Rússia, Américas do Norte e Central) reverenciavam os espíritos da natureza, as divindades da chuva e os deuses da Terra.

Junho

Originalmente, o nome deste mês era Junonius, em homenagem a Juno, a deusa romana padroeira dos casamentos e das mulheres. Equivalente a deusa grega Hera, Juno era invocada nos casamentos para garantir a felicidade duradoura por seu aspecto de padroeira e protetora das funções e atributos femininos. Por isso antigamente as mulheres procuravam casar neste mês, tradição mudada pela Igreja Católica para o mês de Maio, apesar da antiga crença de que casar neste mês traria azar.
Como governante e da estação mais clara e quente do ano, Juno era a contraparte luminosa de Janus, o regente do mês de janeiro.
No hemisfério norte, durante este mês, percebia-se um acréscimo de energia de energia psíquica, favorecendo a aproximação e o intercâmbio com o seres elementais e os espíritos da natureza, que poderiam se tornar acessíveis e visíveis desde que devidamente agradados e invocados.
Os antigos nomes deste mês eram Meitheamh para os irlandeses, Aerra Litha para os anglo-saxões, e Brachmonath para os nórdicos. No calendário sagrado druidico, a letra Ogham correspondente é Tinne e a planta sagrada é o azevinho.
Os nativos norte-americanos chamavam este mês de Lua dos Amantes, Lua de Mel, Lua dos Morangos, Lua da Rosa, Lua dos Prados, Lua do Sol Forte, Lua dos Cavalos, Lua da Engorda, e Mês do Intervalo, entre outros.
Neste mês, os povos europeus celebravam o solstício de verão com vários rituais, encantamentos, práticas oraculares, festas, fogueiras, danças e feiras. Nos países eslavos, o nome dos festivais variava (Kupalo, Jarilo, Kostroma, Sabotka, Kreonice ou Vajano), mas sua tônica era a mesma.
No Egito durante a Lua Cheia, homenageava-se a deusa Hathor com o festival de Edfu. A procissão com a estátua da deusa, retirada de seu templo de Dendera durante a lua nova, culminava com sua chegada no templo de Hórus, em Edfu, para o casamento sagrado destas divindades. Durante as faustosas celebrações, muitos casais aproveitavam os influxos auspiciosos do evento para imitar o exemplo dos deuses e se casar. A deusa lunar Hathor regia o amor, a beleza, a união e a fertilidade e, casar-se durante sua celebração na Lua Cheia, garantia sua bençãos para o casal. Também no Egito, celebravam-se as deusas Ísis e Neith, com o Festival das Lanternas, enquanto que na Índia, um festival exclusivo de mulheres homenageava a deusa Parvati.
Na Grécia antiga, durante a Lua Nova, celebrava-se Ártemis – a deusa lunar padroeira das florestas e dos animais -, as Horas – deusas menores das estações – , e as Dríades – as ninfas das árvores. Em Roma comemoravam-se as deusas Carna – da saúde -, Cardea – a protetora das casas – e Hera e Vênus – as padroeiras das mulheres e do amor.
Os povos nativos norte-americanos festejam, neste mês, o retorno das Kachinas, os espíritos ancestrais da natureza para a sua morada subterrânea, após terem proporcionado o crescimento da vegetação. Os incas celebravam Inti Raymi, a Grande Festa do Sol e a gratidão pela colheita do milho.

Julho

Em 46 a.C., no “ano da confusão”, o imperador Júlio César resolveu reorganizar o caótico calendário romano. Em sua homenagem, Quintilis, o nome original deste mês foi modificado. O calendário juliano permaneceu válido pelos próximos mil e seiscentos anos, sendo substituído em 1582, pelo gregoriano. O nome deste mês continuou, como prova de admiração pelo trabalho reformador de Júlio César.
Outros nomes antigos atribuídos a este mês foram: na Irlanda, Iuil; nos países anglo-saxões, Aftera Litha ou “após Litha”, a celebração do solstício e nas regiões nórdicas, Maedmonath ou Hevoimonath. Os povos nativos nomearam este mês de Lua das Plantas, Lua de Sangue, Lua da Benção, Lua do Trovão, Lua dos Prados e Mês do Feno.
No calendário sagrado druidico, a letra Ogham correspondente é Coll e a arvore sagrada é a aveleira.
Na Roma antiga, este mês abrigava dois grandes festivais: Nonae Caprotinae, dedicado à deusa Juno e Neptunália, celebrando o deus Netuno e a deusa Salácia. Comemorava-se, também, o amor de Vênus e Adonis.
Os Gregos celebravam neste mês, as Olimpíadas, as famosas competições de atletismo, drama e música. Os ganhadores eram muito aclamados e valorizados, pois uma vitória nas Olimpíadas era uma grande conquista, tanto para o indivíduo quanto para sua cidade. Este festival era dedicado a Zeus, e no seu decorrer, nenhuma disputa era interrompida. Neste mês celebrava-se, também, Panathenaea, o festival dedicado a deusa Athena e as procissões para a deusa Deméter.
No Egito, celebrava-se o casamento sagrado de Ísis e Osíris com o Festival Opet marcando o início do ano novo. Havia, também, comemorações menores em homenagem aos aniversários de Ísis, Nephtys, Maat, Osíris, Seth e Hórus. Nos países nórdicos, havia vários festivais e celebrações, como os da deusa celta Cerridwen, da deusa solar Sunna, da senhora do mundo subterrâneo Holda, da deusa do mar Ran e das três senhoras do destino, as Nornes.
Celebrações budistas e shintoístas no Japão honravam os espíritos dos ancestrais durante o Bon, o Festival das Lanternas. Os templos, as casas e os cemitérios eram limpos e enfeitados com flores e lanternas. Oferendas eram colocadas nos túmulos festejando a volta dos espíritos dos mortos para perto de seus familiares durante três dias. Também no Japão, comemoravam-se as deusas Amaterasu, Fuji e Chih Nu; na Índia o festival Naga Panchami homenageava a deusa Manasa Devi. No hemisfério sul, os incas abençoavam a terra para um novo plantio com a cerimônia Chahua-huarquiz. Os índios norte-americanos festejavam a colheita e a despedida dos Kachinas, enquanto os maias celebravam vários deuses e deusas no começo do seu ano novo.

Agosto

Outrora chamado de Sextilis no calendário romano, este mês teve seu nome mudado para Augustus em honra ao imperador Augustus César. O título “august”, dado apenas aos imperadores ou “augur”, dados apenas aos sacerdotes, é decorrência de um dos aspectos da deusa Juno Augusta – e está relacionado ao poder profético conferido aos homens pelas divindades.
O nome anglo-saxão deste mês é Weodmonath e o nórdico Aranmonath. Os povos nativos chamaram-no de Lua da Colheita, Lua da Cevada, Lua do Milho, Lua quando as Cerejas ficam Pretas, Lua das Disputas ou Mês da Vegetação.
No calendário druidico, a letra Ogham correspondente é Quert e a árvore sagrada é a macieira. Durante este mês, em vários países, celebrava-se a colheita dos cereais. Os celtas dedicavam o primeiro dia do mês ao Sabbat Lughnassadh ou Lammas, o primeiro festival da colheita. Lammas em inglês arcaico, significava a Missa do Pão (Loaf Mass), descrevendo assim, a festa do pão fresco, feitos dos primeiros grãos de trigo.
Os romanos também tinham seus festivais de colheita, Consuália e Opseconsiva, reverenciando o deus Consus e a deusa Ops (regentes dos depósitos de grãos e da colheita) com oferendas de pão fresco e vinho. No final do mês, a festa Charisteria agradecia as dádivas das divindades da terra.
O deus Vulcano era celebrado com três festividades: Portunália, Volturnália e Volcanália. Para contrabalançar essas cerimonias do fogo, eram também reverenciadas as deusas Juturna (das fontes) e Stata Mater (da proteção contra os fogos), assegurando, assim, a proteção contra os incêndios, freqüentes nessa época de calor e seca.
Na Grécia, o dia treze era dedicado a Hécate, a Rainha da Noite, senhora do submundo e guardiã das encruzilhadas; o dia vinte e três, por sua vês, era para Nêmesis, a deusa da justiça, da vingança e da punição justa. Nessas celebrações, as pessoas cujos pedidos haviam sido atendidos, iam em procissão, carregando tochas, até os templos das deusas onde eram feitos os rituais.
No Egito, abençoavam-se os barcos, e na Índia comemorava-se Ganesha, o deus com cabeça de elefante, pedindo-lhe que removesse os obstáculos e azares, ofertando-lhe flores e arroz.

Setembro

No antigo calendário romano, Septem era o sétimo mês. Apesar da mudança do calendário e do acréscimo de outros meses, seu nome permaneceu o mesmo e Pomona, a deusa romana padroeira dos frutos e das árvores frutíferas, foi escolhida sua regente.
O nome irlandês deste mês era Mean Fomhair, o anglo-saxão Haligmonath e o nórdico Witumonath. Os povos nativos o chamavam de Lua do Vinho, Lua da Cantoria, Lua do Esturjão, Lua da Madeira, Lua quando o Gamo bate a pata no Chão e Mês Sagrado, entre outros.
No calendário druidico, a letra Ogham correspondente é Muin e a planta sagrada é a videira.
Neste mês, em vários lugares do hemisfério norte, era celebrado o equinócio de outono, chamado pelos povos europeus de Sabbat Mabon ou Alban Alfed. Reconhecia-se, e comemorava-se a diminuição da luz, do calor e do ritmo da vida, à espera dos meses de atividades reduzidas e de introspecção. Comemorava-se a regência das “Deusas Escuras”, as Senhoras da Noite, do mundo subterrâneo, da morte, da reencarnação e dos mistérios espirituais. Os povos celtas e escandinavos consideravam este mês um tempo para o desenvolvimento do ser, olhando para dentro, e além de si mesmo, observando em sua totalidade e não apenas o mundo cotidiano.
A mais famosa cerimônia grega – os Grande Mistérios Eleusínios – homenageava as deusas Deméter e Perséffone. Cercados de profundo mistério e silêncio, esses rituais eram reservados apenas aos iniciados e reencenavam os mistérios da morte e do renascimento. Outra importante festa grega era dedicada à deusa Themis, guardiã da ordem social e da consciência coletiva, protetora dos inocentes e executora dos que transgrediam as leis.
No Egito, a cerimônia do “Ascendimento dos Fogos” celebrava os deuses e deusas, colocando-se lanternas e tochas em todos os altares e estátuas. Festejava-se também Thot, o deus lunar com cabeça de íbis, senhor das palavras sagradas e das leis da magia.
Na China, reverenciava-se a Lua durante o Festival de Yue Ping, na qual as pessoas presenteavam os amigos com bolos em formato de meia-lua ou lebre. Na Índia, a deusa Gauri era homenageada com doces feitos com mel, os quais eram depois comidos pelas pessoas para terem mais doçura em suas vidas.
Também os incas celebravam a Lua, na forma da deusa Mama Quilla, durante o ritual de purificação e agradecimento Citua, próximo ao equinócio.

Outubro

Mesmo após o acréscimo de novos meses, em várias mudanças de calendário, Octem – o oitavo mês do calendário romano antigo – continuou assim sendo chamado.
Os antigos povos europeus, chamavam este mês de Lua de Sangue devido aos preparativos para o inverno, quando se caçava ou matava os animais que não serviam mais para reprodução, defumando-se a carne. Na Irlanda, o mês chamava-se Deireadh Fomhair, sendo o nome anglo-saxão Winterfelleth e o nórdico Windurmonath.
Os nativos norte americanos o denominaram também de Lua de Sangue, Lua dos Mortos, Lua da Caça, Lua das Folhas que Caem, Lua da Vindima, Lua da Mudança de Estação e Mês do Tempo Mutável.
No calendário sagrado druidico, a letra Ogham correspondente é Ngetal e a planta sagrada é o junco.
Os celtas celebravam neste mês Cernunnos, o Deus Cornífero* (Posteriormente, a Igreja Cristã, transformou o Deus Cornífero na imagem de “Satã” o adverso de “Deus” na tradição judaico-cristã, o “Senhor do Mal”, com o objetivo de denegrir a antiga religião, fazendo com que o Catolicismo se expandisse cada vez mais. Os antigos celtas, e pagãos em geral, jamais acreditaram em demônios ou em uma divindade totalmente maligna, pois seus deuses sempre tiveram tanto virtudes quanto defeitos muitos semelhantes aos seres humanos. O fato de hoje em dia o “capeta” ser representado com chifres, é pelo fato de a Igreja ter dito que Cernunnos era o “Diabo”, e ser representado como um homem com chifres de alce, por ser um deus silvestre do campo e das florestas). O Deus Cornífero, era o caçador para os celtas, o consorte da Deusa e a representação do poder fertilizador masculino.
Na Grécia, o mês começava como Festival da Thesmophoria, reservado apenas às mulheres. Durante três dias, reencenava-se o retorno da deusa Perséfone a seu reino no mundo subterrâneo. Invocavam-se também as deusas Deméter e Ártemis, para punir todos aqueles que tinham ofendido ou agredido mulheres. As sacerdotisas liam as listas com seus nomes e acreditavam-se que os culpados, assim amaldiçoados, morreriam até o final do ano. Durante os rituais de Thesmophoria, eram feitas oferendas de leitões nos altares montados nas frestas da terra, sendo os restos das oferendas do ano anterior misturados à terra recém-arada, invocando assim, o poder fertilizador de Deméter. Nos países nórdicos, o Festival Disirblot celebrava a deusa Freya.
Na Índia celebrava-se a deusa Durga, com o festival de quatro dias Durga Puja e a deusa Lakshmi, com o Festival de Luzes Diwalli. Até hoje, lanternas e lamparinas são acesas por toda a parte e as famílias se reúnem em honra aos pais. Todos resolvem seus conflitos, invocando as bençãos das deusas, com cânticos e orações.
No último dia do mês (31 de outubro), os celtas celebravam o Sabbat Samhain, o terceiro e último Festival da Colheita, reverenciando a Deusa em sua face escura, os ancestrais, e comemorando o início do inverno e do ano novo. Considerado um festival dos mortos, precursor das atuais homenagens prestadas a eles, Samhain era celebrado com fogueiras, oferendas às divindades e aos ancestrais, além de práticas oraculares.

Novembro

Apesar de ser o décimo mês do atual calendário, Novembro ainda guarda seu antigo nome – Novem, significando nove – em referência à sua posição no calendário romano original.
Na tradição celta, o Sabbat Samhain, no primeiro dia deste mês, marcava o início de um novo ano, cujo nome celta era La Shamhna. O nome anglo-saxão era Blotmonath e o nórdico, Herbistmonath e Fogmoon. Os povos antigos chamavam também o mês de Lua Escura, Lua da Névoa, Lua da Neve, Lua do Castor, Lua das Tempestades, Lua quando os Alces trocam os Chifres, Lua do Velório e Mês do Sacrifício.
No calendário druidico, Beth é a letra Ogham e o álamo a árvore sagrada.
Independente do nome, este mês representava uma transição ente o velho e o novo, o tempo de términos e novos começos. A escuridão aumenta, a vida está em declínio e os véus entre os mundos se tornam mais tênues, permitindo a passagem e as comunicações “do além”. Inúmeras culturas antigas reverenciavam os espíritos dos ancestrais e as almas durante este mês. As celebrações celtas de Samhain proporcionavam o contato com os espíritos dos falecidos e eram dedicados a Cailleach, a anciã Senhora da Morte.
No Egito, as celebrações de Isia lembravam a ressurreição do deus Osíris com encenações ritualísticas do combate entre as forças do bem e do mal e cerimônias de plantio após o recuo o Rio Nilo.
Ao contrário da atmosfera de tristeza e luto das comemorações cristãs dos mortos, até hoje no México, o “Dia de Las Muertes” é comemorado de forma alegre e divertida. Os túmulos são enfeitados com flores coloridas de papel, as famílias se reúnem para piqueniques no cemitério e comemoram com as comidas e bebidas preferidas dos mortos. As crianças se divertem com doces e brinquedos em forma de esqueletos e caveiras.
Na Grécia, no dia dezesseis, havia uma celebração muito importante para Hécate, a deusa da lua minguante, da noite, das encruzilhadas e do mundo dos mortos. Para reverenciar a deusa e pedir sua proteção, eram deixadas nas encruzilhadas as “Ceias de Hécate”.
Nos países nórdicos, a deusa Hel, Holda ou Bertha era comemorada como a condutora das almas durante “A Caça Selvagem”. Na Escócia, acreditava-se que a deusa Nicnevin também “cavalgava” durante a festa de Samhain, junto com seus adeptos, atravessando o céu noturno.
Os Incas também tinham seu festival dos mortos, que era chamado de Ayamarca.

Dezembro

Decem era o décimo mês do antigo calendário romano. Seu nome também surgiu como uma homenagem à deusa Décima, uma das Parcas – as Senhoras do Destino -, a regente do presente e tecelã do fio da vida, equivalente à deusa grega Clotho.
O nome anglo-saxão do mês era Aerra Geola, o irlandês, Mi Na Nollag e o nórdico, Wintermonath ou Heilagmonath. No calendário druidico, a letra Ogham é Luís e a árvore a sorveira. Os povos nativos norte-americanos denominaram este mês de Lua Fria, Lua do Logo, Lua das Longas Noites, Lua do Uivo dos Lobos, Lua do Carvalho, Lua do Inverno, Lua das Árvores que Estalam e Mês Sagrado.
A mais importante celebração deste mês é o solstício de inverno no hemisfério norte, festejado pelos povos europeus como o Sabbat Yule ou Alban Arthuan. Em várias tradições e lugares no mundo antigo, o solstício era lembrado juntamente com os mitos das deusas virgens dando à luz aos seus divinos filhos solares, como Osíris, Boal, Attis, Adonis, Hélio, Apolo, Dionisio, Mithras, Baldur, Frey e Jesus. Na tradição romana, este data chamava-se Dies Natalies Soles Invictus ou o Dia do Nascimento do Sol Invicto e todos os deuses solares receberam títulos semelhantes, como a Luz do Mundo, o Sol da Justiça, O Salvador. As celebrações atuais do Natal são uma amálgama de várias tradições religiosas, antigas e moderna, pagãs, judaicas, zoroastrianas, mitraicas e cristãs.
Na antiga Babilônia, existiam doze dias entre os solstício e o Ano Novo. Era um tempo de dualidades, oscilando entre o caos e a ordem. Os romanos concretizavam essa ambigüidade no famoso festival Saturnália, as festas dedicadas aos deus do tempo Saturno e à sua consorte, a deusa da fertilidade Ops. Durante oito dias, as regras sociais eram revertidas, patrões e escravos trocavam de funções e roupagens, ninguém trabalhava, todos festejavam. O último dia do festival, chama-se Juvenália, dedicado ás crianças, que recebiam agrados, presentes e talismãs de boa sorte.
Nos países do Oriente Médio, a Deusa- Mãe, Senhora do Céu e das Estrelas – conhecida como Astarte, Athar, Attar Samayin ou Ashtoreth -, era celebrada, desde os tempos neolíticos nesta época do ano.
Nos países anglo-saxões, essas celebrações permaneceram, como o Modresnacht, “A Noite da Mãe”, cujos costumes ainda sobrevivem nos festejos natalinos atuais em simbolismos como a Árvore de Natal, decorada como a Árvore do Mundo, a estrela em seu topo, representando a Deusa Estelar, a ceia farta e os presentes sob a árvore lembrando as oferendas e os agradecimentos dos homens à Grande Mãe.
Na Escócia, a véspera do Ano Novo é chamada Hogmanay, sendo celebrada com comidas típicas e procissões de homens vestindo peles e chifres de animais, reminiscências das antigas tradições xamânicas, assim como as renas, o duende e o próprio xamã metamorfoseado em Papai Noel.
Nos países eslavos, o Festival Koleda ou Kutuja, começava no solstício e durava dez dias, celebrando o renascimento da Lada, a deusa do amor, da fertilidade e da juventude.
Na Europa, a deusa solar Lucina era comemorada com procissões de moças vestidas de branco e coroadas com velas acesas. A antiga deusa maia Ix Chel era homenageada no México, com procissões e rituais para abençoar os campos e embarcações.
Os incas celebravam Capac Raymi, o festival magnífico e Huara Chico, os ritos de iniciação dos meninos. Na Polinésia, no solstício de verão, celebrava-se Parara’a Matahiti, o Festival das Primeiras Frutas.
Neste mês, os judeus celebram, até hoje, o Festival das Luzes, chamado Hannukah, no qual se acende diariamente uma nova vela branca em um castiçal de nove braços. Comemora-se o antigo milagre da reconquista do Templo de Jerusalém, há dois mil anos.
Dezembro representa o fechamento de um ciclo, um período para refletir sobre o ano que passou. Na avaliação daquilo que passou e na expectativa de um novo ano, repete-se o momento mítico da passagem do caos para a ordem. A Roda do Ano pára, entra-se em um novo limiar, no limite entre os tempos e os mundos, quando torna-se possível refazer o mundo.

  1. antonio jose ribeiro neto
    setembro 27, 2009 às 7:39 pm

    quem de fato introduziu o sabbatum no lugar do dia de saturno?

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